Petróleo sobe quase 30% na semana por guerra no Oriente Médio
06/03/2026
(Foto: Reprodução) Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã
Os preços do petróleo dispararam cerca de 30% nesta semana, para níveis sem precedentes desde 2023, num contexto em que o conflito no Oriente Médio paralisa boa parte dos fluxos de hidrocarbonetos provenientes do Golfo Pérsico.
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O barril de Brent do Mar do Norte fechou nesta sexta-feira (6) em 92,69 dólares, o que representa um aumento de mais de 8% em relação à quinta-feira e de 27,88% na semana.
Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI), encerrou em 90,90 dólares, uma alta de mais de 12% na sessão e de 35,63% na semana.
Em poucas sessões, os preços encareceram mais de 20 dólares por barril. Desde o início do ano, o aumento supera os 30 dólares.
"Já vi esse tipo de situação antes, mas essa está começando a adquirir proporções dramáticas", comenta à AFP Ole R. Hvalbye, analista do SEB.
"Preocupam-me muito as consequências de longo prazo", em particular a eclosão de uma recessão econômica, acrescenta.
O aumento das cotações acelerou-se ainda mais nesta sexta-feira após declarações do presidente americano, Donald Trump, que exige uma "capitulação" do Irã.
O país é um importante produtor de petróleo. Mas o conflito teve sobretudo como consequência paralisar o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% da produção mundial do óleo bruto.
"O mercado está passando de uma avaliação puramente geopolítica dos riscos a levar em conta perturbações operacionais tangíveis", destacam em nota os economistas do JPMorgan.
"A cada dia em que o Estreito de Ormuz permanece fechado, o mercado petrolífero fica mais tenso", explicou à AFP Giovanni Staunovo, analista do UBS.
Medidas adotadas
Alguns países do Golfo já foram obrigados a reduzir o ritmo de sua atividade.
"O Iraque já diminuiu seu fornecimento em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, e o Kuwait parece estar atingindo seus limites de armazenamento e, na prática, fechando a maior parte de sua capacidade de refino destinada à exportação", segundo os especialistas do JPMorgan.
Para prevenir a escassez, a China pediu às suas principais refinarias que suspendam suas exportações de diesel e gasolina, de acordo com a agência Bloomberg.
E na quinta-feira o governo dos Estados Unidos autorizou, por um mês, o fornecimento à Índia de petróleo russo submetido a sanções, enquanto o conflito no Oriente Médio afeta diretamente o abastecimento de Nova Délhi.
A Marinha americana escoltará os navios mercantes que tentarem cruzar o Estreito de Ormuz "assim que for razoável", assegurou nesta sexta o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright.
"Isso pode facilitar a retomada do tráfego, mas não ao nível de antes da guerra", alertam os analistas da Eurasia Group.
Segundo Jason Gabelman, da TD Cowen, a reação do mercado tem sido até agora "moderada" graças a "estoques saudáveis" que "poderiam cobrir até um mês de fechamento" do Ormuz.
Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026.
SAHAR AL ATTAR / AFP