Petroleiros venezuelanos rompem bloqueio marítimo dos EUA após captura de Maduro, diz jornal
05/01/2026
(Foto: Reprodução) Petroleiros venezuelanos rompem bloqueio marítimo dos EUA após captura de Maduro
Após a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, mais de 10 navios petroleiros romperam o bloqueio marítimo dos EUA para "fugir" da Venezuela, segundo o jornal americano "The New York Times".
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O jornal revelou nesta segunda-feira (5) que ao menos 16 petroleiros alvos de sanções dos EUA deixaram águas venezuelanas em um movimento coordenado para tentar romper o bloqueio naval imposto pelo governo dos EUA ao petróleo da Venezuela. O bloqueio permanece mesmo após a captura de Maduro, reafirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, no final de semana.
O site de monitoramento marítimo "TankerTrackers" confirmou o movimento e disse que cerca de 12 embarcações carregadas de petróleo romperam o bloqueio norte-americano ao deixar as águas venezuelanas em "modo escuro".
O movimento ocorre após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, em uma operação das forças norte-americanas que atingiu Caracas na madrugada do último sábado (3).
Segundo o "New York Times", essas embarcações desligaram seus sinais de transmissão para disfarçar suas localizações em tempo real e adotaram bandeiras falsas para a investida.
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Quatro dos petroleiros, chamados Veronica III, Vesna, Bertha e Aquila II, foram vistos por imagens de satélite a cerca de 50 km a oeste da costa venezuelana utilizando nomes falsos e informando geolocalizações incorretas, segundo o NYT. Ainda de acordo com a reportagem, as embarcações deixaram a Venezuela sem autorização do governo interino de Delcy Rodríguez.
Os outros 12 navios petroleiros desligaram seus transmissores de geolocalização, algo incomum na navegação comercial, e ainda não foram localizadas por imagens de satélite mais recentes, de acordo com o NYT.
Um dos cofundadores do site "TankerTrackers", Samir Madani, afirmou ao "New York Times" que o movimento simultâneo dos petroleiros visa sobrecarregar as forças dos EUA e que seria "a única forma realmente eficaz" para romper o bloqueio naval.
Apesar do "TankerTrackers" afirmar que os petroleiros estavam carregados de petróleo cru, o "New York Times" reportou que algumas dessas embarcações estavam vazias para poderem navegar mais rapidamente.
Maduro é acusado pelo governo americano de liderar uma organização criminosa chamada Cartel de los Soles, que atua no tráfico de drogas. Ele e a esposa passam por uma audiência em Nova York nesta segunda.
FOTO DE ARQUIVO: O petroleiro MT Bandra, registrado na Guiné, que está sob sanções, é parcialmente visto ao lado de outra embarcação no terminal El Palito, perto de Puerto Cabello, Venezuela, em 29 de dezembro de 2025.
REUTERS/Juan Carlos Hernandez/Foto de Arquivo
'Quarentena do petróleo'
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou no domingo (4) que os Estados Unidos não terão um papel direto no governo cotidiano da Venezuela e se limitarão a impor uma “quarentena do petróleo” já existente sobre o país.
A declaração representa um tom diferente do adotado por Trump, que afirmou, um dia antes, que os EUA passariam a “administrar” a Venezuela de forma interina após a captura do líder Nicolás Maduro.
Em entrevista ao programa Face the Nation, da TV americana "CBS", Rubio adotou um tom mais cauteloso ao afirmar que os EUA continuarão a aplicar a quarentena do petróleo — medida que já estava em vigor sobre navios-tanque sancionados antes de Maduro ser retirado do poder na madrugada de sábado.
Segundo o secretário de Estado, a medida será usada como instrumento de pressão para promover mudanças de política na Venezuela. “É esse o tipo de controle a que o presidente se refere quando diz isso”, afirmou.
“Nós mantemos essa quarentena e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada em benefício da população, mas também para que se interrompa o tráfico de drogas", acrescentou.
Governo interino
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Com a deposição de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidente interina da Venezuela. A decisão de mantê-la como substituta foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça do país logo após Maduro ser retirado do poder pelos Estados Unidos.
Segundo o texto da decisão, ela assume o cargo para "garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação".
Além da decisão do Supremo, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram neste domingo Rodríguez como presidente interina do país. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, endossou em rede nacional a determinação de mantê-la no poder por 90 dias.
Donald Trump chegou a afirmar neste domingo que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, ao mesmo tempo em que lidam com a nova liderança interina em Caracas.
“Estamos lidando com as pessoas que acabaram de tomar posse. Não me perguntem quem está no comando, porque eu daria uma resposta e isso seria muito controverso”, disse o republicano a jornalistas nesta noite, ao ser questionado se havia falado com Delcy Rodríguez. Pressionado a explicar o que quis dizer, Trump afirmou: “Isso significa que nós estamos no comando."
Maduro detido em Nova York
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulga foto de Nicolás Maduro após captura do líder venezuelano no dia 4 de janeiro de 2026
Reprodução
Nicolás Maduro chegou ao centro de detenção em Nova York no fim da noite de sábado (3). Ele foi conduzido sob custódia ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), onde foi fichado. Um perfil oficial da Casa Branca no X divulgou as imagens do venezuelano escoltado por agentes.
O Conselho de Segurança da ONU, composto por 15 membros, deve se reunir nesta segunda-feira (5), por volta das 12h (horário de Brasília), para discutir a legalidade da captura do presidente da Venezuela.
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Jonathan Ernst/Reuters