Homens armados fazem ataques coordenados na capital do Mali, diz Exército
25/04/2026
(Foto: Reprodução) Soldado permanece em posição durante um ataque à principal base militar do Mali, em Kati, nos arredores da capital Bamako, neste sábado (25)
Stringer/Reuters
Homens armados atacaram vários pontos da capital do Mali e outras partes do país neste sábado (25), em uma possível ofensiva coordenada, segundo moradores e autoridades.
O Exército do Mali afirmou em comunicado que “grupos terroristas armados não identificados atacaram determinados locais e quartéis na capital”. Acrescentou que os soldados estavam “atualmente engajados em neutralizar os atacantes”.
Um jornalista da agência de notícias Associated Press na capital Bamako ouviu tiros contínuos de armas pesadas e fuzis automáticos vindos do Aeroporto Internacional Modibo Keïta, a cerca de 15 quilômetros do centro da cidade, e viu um helicóptero sobrevoando bairros próximos.
O Mali enfrenta insurgências de afiliados da Al-Qaeda e do Estado Islâmico na África Ocidental, além de uma longa história de rebeliões lideradas por tuaregues no norte.
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O governo liderado por Assimi Goita chegou ao poder após golpes em 2020 e 2021, prometendo restaurar a segurança, mas tem enfrentado dificuldades (leia mais abaixo).
ePouco depois das 11h (às 8h no horário de Brasília) a situação estava sob controle, mas “operações de varredura” continuavam, segundo o Exército local. Não estava claro se isso se aplicava a todo o país.
Duas explosões e tiroteios intensos foram ouvidos pouco antes das 6h, no horário local, perto da principal base militar do Mali, em Kati, ao norte de Bamako, e os disparos continuaram por mais de quatro horas, enquanto helicópteros do Exército sobrevoavam a área, disseram uma testemunha da Reuters e dois moradores.
“Há tiros por toda parte”, disse uma testemunha na cidade central de Sevaré. Outras duas testemunhas afirmaram que a casa do ministro da Defesa, Sadio Camara, em Kati, foi atingida e destruída.
Não houve reivindicação imediata de autoria por parte do grupo afiliado à Al-Qaeda Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), que frequentemente ataca instalações militares. No entanto, quatro fontes de segurança disseram à Reuters que o grupo esteve envolvido e aparenta ter coordenado ações com a Frente de Libertação de Azawad (FLA).
Mohamed Elmaouloud Ramadane, porta-voz da FLA, disse nas redes sociais que suas forças assumiram o controle de várias posições em Kidal e Gao.
O movimento separatista de Azawad luta há anos para criar um Estado independente no norte do Mali. Em determinado momento, conseguiu expulsar as forças de segurança da região, antes de um acordo de paz firmado em 2015 — que desde então entrou em colapso — permitir a integração de alguns ex-rebeldes às Forças Armadas malinesas.
A Embaixada dos Estados Unidos em Bamako emitiu um alerta de segurança e orientou que cidadãos americanos permaneçam em local seguro e evitem viajar para as áreas alvos de ataques até que haja mais informações.
Vista aérea de Bamako, no Mali, neste sábado (25)
AP
Cenário político
Os líderes militares do Mali assumiram o poder após golpes em 2020 e 2021, prometendo restaurar a segurança, mas militantes continuam realizando ataques frequentes contra forças armadas e civis.
O Mali, junto com os países vizinhos Níger e Burkina Faso, enfrenta há anos grupos armados afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, um conflito que se intensificou na última década.
Em 2024, um grupo ligado à Al-Qaeda reivindicou um ataque ao aeroporto de Bamako e a um campo de treinamento militar na capital, matando dezenas de pessoas.
Após golpes militares, as juntas que governam os três países se afastaram de aliados ocidentais e passaram a contar com apoio da Rússia no combate a militantes islâmicos.
Ainda assim, a situação de segurança no Mali, Níger e Burkina Faso piorou recentemente, segundo analistas, com número recorde de ataques de grupos armados. Forças governamentais também têm sido acusadas de matar civis sob suspeita de colaboração com militantes.