Embaixador do Irã agradece posição do governo brasileiro em condenar conflito: 'Ação valorosa'
02/03/2026
(Foto: Reprodução) Embaixador do Irã recebe jornalistas para coletiva de imprensa.
Reprodução/ TV Globo
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu nesta segunda-feira (2), a posição do governo brasileiro em condenar a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Nekounam recebeu jornalistas na embaixada, em Brasília, para discutir o conflito e chamou de "valorosa" a ação brasileira. A declaração foi dada em persa, mas traduzida para o português.
"Nós recebemos as manifestações do governo brasileiro sobre os ataques dos EUA e do regime sionista de Israel e agradecemos a condenação dos atos de agressão", pontuou.
"Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos", emendou.
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Segundo o embaixador, ainda não há números exatos das pessoas que perderam suas vidas. Quanto aos brasileiros no Irã, ele mencionou acreditar não haver mortos e feridos da nacionalidade, mas "que a embaixada fará sua avaliação".
🔎A Embaixada do Brasil no Irã atendeu seis brasileiros de uma equipe de futebol de Teerã. No sábado, os jogadores entraram em contato com o corpo diplomático e tiveram suporte para deixar o país.
🔎Ainda segundo informações da Embaixada, eles deixaram o país pela fronteira com a Turquia e já estão em Istambul.
🔎A Embaixada também deu suporte para uma brasileira que aguardava visto para o marido. Ele não é iraniano e a nacionalidade não foi informada. O visto foi concedido e o casal deixou o país.
Abdollah Nekounam explicou que o diálogo com o Ministério das Relações Exteriores brasileiro segue de forma natural. "Nossas conversas com o Brasil não tem nada a ver com os EUA", disse.
O governo brasileiro prestou solidariedade a países impactados por ataques retaliatórios do Irã e pediu a interrupção de ações militares na região do Golfo.
Em nota divulgada na noite deste sábado (28), o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a escalada representa uma grave ameaça à paz.
Diferentemente do comunicado divulgado na manhã de sábado, quando condenou ataques feitos por Israel e Estados Unidos contra alvos iranianos, nessa última nota o Itamaraty não citou diretamente os dois países.
'Criminoso'
Ao começar o pronunciamento, o embaixador classificou o ataque dos EUA contra uma escola iraniana, no primeiro dia de ofensiva, de "criminoso" e mencionou que 170 alunas dessa escola foram mortas.
Abdollah Nekounam comentou também que, depois do que ocorreu, ele acredita que os Estados Unidos não busca um acordo nuclear, mas sim uma mudança de governo.
"Estamos no meio de uma guerra. Os EUA e o regime sionista começaram um ataque usando as negociações. Essa ação resultou no assassinato do líder supremo da República Islâmica do Irã. Nós vamos definir as consequências no campo de batalha", pontuou.
Segundo ele, Donald Trump pensa ser "o rei do mundo", mas não terá sucesso nessa empreitada. Ele reforçou que o interesse do país não é guerra, nem agressão, mas que responderam depois de atacados.
"O nosso mundo tem seu valor muito mais do que ser administrado pelos reis envolvidos nos arquivos do Epstein. Pessoas que ultrapassaram a fronteira de humanidade não merecem administrar a soberania do mundo. Eles podem fazer seus esforços militares, mas eles não terão resultados como vocês estão vendo no Irã", argumentou.
Segundo o embaixador, o Irã está pronto para as piores situações possíveis e reforçou ter equipamentos militares de alta qualidade.
Impactos econômicos e desdobramentos
Sobre os impactos econômicos do conflito, o embaixador afirmou que ainda terão de ser avaliados.
Já no que diz respeito ao ataque ao gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse não ter informação oficial.
O embaixador destacou ainda que a relação com países vizinhos está mantida e que não há desentendimento.
"Não há nenhum desentendimento com nossos países vizinhos. As nossas ações são contra as bases militares dos EUA e centros do regime sionista. Isso não significa um ataque a esses países", esclarece.
"Quando uma base militar é usada para atacar nosso país, claramente será atacada e terá respostas. As nossas relações com nossos países vizinhos e irmãos estão mantidas, mas, como mencionou nosso ministros de Relações Exterioters, esses países precisam pressionar os países donos dessas bases militares a desativá-las", prosseguiu.
Sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, no sábado, o embaixador disse que essa consequência já tinha sido informada.
"O nosso líder já tinha alertado de forma veemente. Esse alerta foi: se atacar vai acontecer uma guerra regional. Infelizmente eles começaram os ataques", justificou.
Começo do conflito
No último sábado (28), Estados Unidos e Israel iniciaram uma ofensiva de bombardeios aéreos no Irã, sob o pretexto de destruir o programa nuclear iraniano e dar uma resposta a ameaças do regime.
Os ataques atingiram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que teve a morte confirmada horas depois dos ataques pela TV estatal do país.
Além de Khameni, a ofensiva dos EUA e de Israel acarretou a morte do chefe do Estado‑Maior do Irã, Abdolrahim Mousavi e do ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh.
Como retaliação a ofensiva, o Irã lançou ataques contra Israel e outros países do Oriente Médio utilizando mísseis e drones.
A escalada no Oriente Médio já fez centenas de mortos no Irã e resultou no fechamento do Estreito de Ormuz.