Em meio a desgaste internacional de Israel, governo Trump quer entregar 40 mil bombas de 1 tonelada ao país

  • 19/09/2026
(Foto: Reprodução)
Ataque aéreo israelense atinge mesquita na Cidade de Gaza, em 28 de julho de 2026 Dawoud Abu Alkas/Reuters O governo Trump pretende realizar maior entrega de bombas da história dos EUA a Israel, num acordo de US$ 2,8 bilhões (R$ 14,4 bilhões) que inclui a transferência de 40 mil artefatos de quase 1 tonelada cada. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A medida, que não foi anunciada oficialmente, vem à tona em um momento de desgaste internacional de Israel, que enfrenta críticas por suas operações militares na Faixa de Gaza e no Líbano, bem como pela violência de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia, alegadamente com o consentimento de suas forças militares. Bombas pesadas, como as que fazem parte do acordo, causam preocupação pelo raio de destruição e o potencial de atingir populações civis, especialmente em áreas densamente habitadas, como Gaza. Segundo os jornais "Washington Post" e "New York Times", entre outros, o governo Trump mandou o texto da proposta reservadamente para duas comissões do Congresso para aprovação informal — ainda que não tenha apoio Legislativo, a Casa Branca dispõe de mecanismos para contornar eventuais vetos para concretizar a entrega. Agora no g1 O acordo prevê a entrega de 20 mil bombas Mark 84 e outras 20 mil bombas BLU-117. Apesar da nomenclatura, elas são praticamente iguais: pesam aproximadamente uma tonelada curta (equivalente a 907 kg, podendo variar mais ou menos conforme a quantidade de explosivo em seu interior), têm o mesmo formato e são projetadas para ser lançadas de aeronaves. A diferença está no composto explosivo usado e um revestimento externo para prevenir a explosão acidental em ambientes muito quentes. Especialistas em armamentos apontam que bombas do tipo podem ser letais em um raio de 300 metros e abrir crateras de até 15 metros de profundidade. Elas podem ser configuradas para detonar antes, durante ou após o impacto, de acordo com a missão. Bombas Mark 84/BLU-117 Igor Ramon/g1 Embora o acordo seja tratado como uma venda, na prática Israel estaria comprando os armamentos com o dinheiro do próprio contribuinte americano, já que o país recebe US$ 3,3 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões) por ano dos EUA por meio do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF, na sigla em inglês). Ao menos um congressista se manifestou contra a proposta: o deputado democrata Gregory Meeks, que faz parte da Comissão de Relações Exteriores da casa, disse que não apoiaria o acordo porque ele "levanta preocupações graves e não resolvidas sobre como essas munições poderiam ser utilizadas em áreas densamente povoadas de Gaza e do Líbano". Críticas internacionais A condução de Israel em suas campanhas militares em Gaza e no Líbano têm sido alvo de críticas até entre aliados. Na quarta-feira (16), o ministro da Defesa do pais, Israel Katz, ameaçou retomar a guerra em Gaza e expulsar os palestinos do território, abrindo caminho para o assentamento de colonos israelenses. O embaixador dos EUA no país, Mike Huckabee, reagiu negando apoiar qualquer plano de "deslocar pessoas para fora de Gaza contra sua vontade". Os EUA mediaram um cessar-fogo em outubro de 2025 entre Israel e o grupo terrorista Hamas, que pausou a guerra no território palestino e previa um plano de paz e reconstrução. Na prática, porém, os bombardeios ao território prosseguem. O ataque terrorista de outubro de 2023 contra Israel, realizado pelo Hamas, matou 1.221 pessoas, segundo uma contagem da agência AFP baseada em números oficiais israelenses. Os combatentes do Hamas também levaram 251 reféns para Gaza. A campanha de represália de Israel em Gaza matou mais de 73.700 pessoas, segundo o Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas. Além disso, com mais da metade de todas as construções destruídas, boa parte da população está alocada em tendas, sob os efeitos de uma crise humanitária que já dura anos. O número é considerado confiável pela ONU. A ONU estima que cerca 80% dos prédios em Gaza foram destruídos ou danificados REUTERS Huckabee também criticou, nas últimas semanas, a postura de colonos israelenses na Cisjordânia. O número de episódios violentos envolvendo palestinos tem aumentado nos últimos meses, desde que Israel anunciou planos de abrir novos assentamentos no território, inviabilizando na prática a implantação de um Estado palestino. No início do mês, Reino Unido e França e mais 10 países anunciam sanções a assentamentos israelenses na Cisjordânia. O governo britânico acusou os colonos de "limpeza étnica". A Cisjordânia possui alguns bolsões sob controle civil da Autoridade Palestina, mas é controlada militarmente por Israel. Cidadãso palestinos são obrigados a passar por diversos bloqueios e verificações controladas por militares israelenses se quiserem se deslocar pelo território. Além disso, palestinos da Cisjordânia podem ser detidos sem acusação formal e, se indiciados, podem ser julgados por um tribunal militar de Israel. Colonos israelenses, por sua vez, são julgados por tribunais civis, efetivamente criando um sistema de dois pesos e duas medidas. LEIA TAMBÉM: Ministro de Netanyahu posta vídeo celebrando fome de palestinos em prisões de Israel; cena é comparada a campo de concentração Fornecimento de armas O fornecimento de bombas e outros tipos de armamento pelos EUA a Israel ocorre com frequência desde o início da campanha em Gaza, ainda no governo do democrata Joe Biden. Em meados de 2024, o governo Biden chegou a pausar a entrega das bombas de 1 tonelada a Israel por receio do uso contínuo delas em áreas densamente povoadas. O fornecimento foi destravado por Trump assim que ele retornou à Casa Branca, no início de 2025. Trump já havia fechado no início de 2026 o fornecimento de outra encomenda de 35 mil bombas Mark 84 e BLU-117 a Israel em fevereiro, por um valor um pouco abaixo do acordado na transação de setembro. Na prática, é muito difícil o Congresso barrar o envio de armamento a Israel, já que seria necessário um veto de dois terços dos membros nas duas Casas, atualmente de maioria republicana. Ainda assim, a Casa Branca teria outros meios de contornar um eventual bloqueio. O próprio governo Biden havia declarado emergência no Oriente Médio para não depender do aval do Congresso para concluir a transação nos primeiros meses da guerra em Gaza.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/09/19/em-meio-a-desgaste-internacional-de-israel-governo-trump-quer-entregar-40-mil-bombas-de-1-tonelada-ao-pais.ghtml


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