Brasileira em Dubai diz que dorme de jeans e com mala feita para caso de ataque: 'É assustador'
03/03/2026
(Foto: Reprodução) ‘Presa’ em Dubai após guerra de EUA, Israel e Irã, brasileira faz diário nas redes socias
A economista brasileira Georgia Figuerola e a filha estão em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, sem conseguir deixar o país desde o início dos bombardeios entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O voo de volta à Suíça, onde moram, foi cancelado.
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Elas estão hospedadas em um hotel da cidade desde o começo dos ataques entre os países, registrados desde sábado (28).
"Não dava para dormir, tinha muitos estrondos, muitos. Eles [governo dos EAU] interceptaram. Eu acho que foram 400 mísseis e drones. E foi isso a noite inteira", relembra ao g1.
A viagem era de turismo. Georgia e a filha planejavam ficar cinco dias no país antes de retornar para Lausanne, onde a economista vive há 20 anos.
INFOGRÁFICO - Mapa mostra locais dos ataques no Irã e a retaliação.
Arte/g1
O voo estava marcado para a madrugada de 28 para o dia 1º no aeroporto internacional de Dubai, alvo de bombardeio naquela madrugada. Elas, no entanto, estavam no hotel porque já sabiam que o voo havia sido cancelado — o motivo ainda não tinha sido informado.
"Eles remarcaram o meu voo e eu fui almoçar. A gente começou a ouvir uns estrondos, que eram os mísseis sendo interceptados. Nós ouvimos um estrondo e a gente não estava entendendo", conta Georgia.
Aeroporto de Dubai sofre danos durante ataques do Irã
Desde lá para cá, a volta foi remarcada novamente. A previsão inicial era voar na quarta-feira (4), mas o novo embarque está previsto para sexta (6).
A opção não é de voo direto: terão de ir de Dubai para Doha, no Qatar, com conexões até a Suíça. Outra alternativa apresentada pela companhia aérea foi viajar até a Arábia Saudita, passar uma noite no aeroporto local e, só depois, seguir viagem.
"Mas não está 100% garantido que esse voo vai acontecer. A gente tem que aceitar as opções da companhia aérea e esperar".
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Enquanto esperam, mãe e filha seguem hospedadas em um hotel dentro do Burj Khalifa e arcam com os custos de estadia, alimentação e compra de roupas. Além disso, Georgia faz uma espécie de diário em seu perfil no TikTok (georgiasemfiltro).
"São despesas extras que não estavam planejadas. Não tinha mais roupa, eu não tinha produtos de higiene, não tinha nada, porque eu vim aqui para ficar quase cinco dias, eu vim com uma mala de mão", detalha.
Brasileiros que moram no país com medo
Quem mora nos Emirados Árabes Unidos está em situação ainda mais tensa. Nascido em São Paulo capital, Pedro (nome fictício) vive no país há três anos com a esposa e o filho bebê.
Ele pediu para não ter o nome divulgado por medo de represálias. Segundo ele, o governo local "não é muito simpático em divulgação de informação".
Imagem de satélite divulgada pela Planet Labs em 1º de março de 2026 mostra coluna de fumaça em Dubai.
LANET LABS PBC / AFP
O brasileiro relata que o prédio de frente ao que mora foi atingido por estilhaços de um drone interceptado pelas forças militares do país.
"Escutei a primeira explosão por volta das 13 horas [de sábado]. Estava em casa e o barulho foi bem alto", relembra. "Depois desse primeiro barulho, alguns se repetiram e, pelo menos na região que eu moro, o padrão de repetiu de 3 em 3 horas e foi até domingo no final da tarde".
Segundo Pedro, brasileiros que vivem na região têm grupos de WhatsApp para trocar informações sobre áreas consideradas mais seguras. Ele diz que moradores também passaram a buscar mantimentos e reforçar cuidados dentro de casa.
"Estamos tomando medidas: ficando longe das janelas. Escolhi um quarto que não tem paredes externas para dormir com esposa e filho. E aumentamos o estoque de água e comida — mas nada de mais, pois não tenho notado problema de abastecimento", conta.