Árbitro somali tirado da Copa após ser barrado pelos EUA faria história pelo seu país; conheça
09/06/2026
(Foto: Reprodução) Árbitro somali Omar Abdulkadir Artan em foto de janeiro de 2024.
Kenzo Tribouillard/AFP
O árbitro somali Omar Artan, que foi impedido de entrar nos Estados Unidos e foi cortado da Copa do Mundo pela Fifa, estava prestes a fazer história pelo seu país.
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Artan seria o primeiro árbitro da Somália a apitar em uma Copa do Mundo após entrar na lista final da Fifa para o torneio, anunciada dois meses atrás. Ele é um dos principais árbitros da África e foi eleito o melhor árbitro masculino do continente em 2025.
O sonho, no entanto, teve que ser adiado. A Fifa o cortou do quadro de arbitragem da Copa após ele ter sua entrada negada no Aeroporto Internacional de Miami. A entidade máxima do futebol disse na segunda-feira (8) que "não se envolve nos processos de imigração dos países-sedes".
A decisão de negar a um oficial de arbitragem designado pela Fifa a permissão para entrar no país-sede da Copa do Mundo é altamente incomum. Artan deveria se reunir com outros árbitros do Mundial na base de treinamento em Miami. Ao todo, 170 árbitros de campo, assistentes de arbitragem e árbitros de vídeo (VAR) participarão da Copa, segundo a Fifa.
Agora no g1
Artan faria história pela Somália
Artan tem sido elogiado como um dos melhores árbitros da África e apitou o jogo decisivo da final da Liga dos Campeões Africana no mês passado —a principal competição de clubes do continente.
Em entrevista recente à rede catari "Al Jazeera", ele falou sobre a honra de ser escolhido como o primeiro somali a apitar uma Copa do Mundo e sobre os desafios enfrentados em seu país marcado por conflitos, incluindo a necessidade de mudar rotas para o treino por causa de explosões nas ruas da capital, Mogadíscio.
“Você não pode desistir como árbitro”, disse Artan na entrevista. “Ir para a Copa do Mundo era meu grande objetivo, e estou realmente empolgado.”
Omar Artan tem 34 anos e é árbitro Fifa desde 2018 —é necessário ter essa patente para apitar um jogo de Copa do Mundo e de alguns dos campeonatos mais importantes do futebol.
Interrogado por 11 horas nos EUA e submetido a 'inspeção adicional'
Seleção de Senegal é revistada ainda na pista do aeroporto ao chegar aos EUA
Artan disse ao jornal norte-americano "The New York Times" que foi entrevistado por 11 horas no aeroporto de Miami por agentes de fronteira, que perguntaram por que ele viajou aos EUA e o questionaram sobre a política somali e o grupo militante al-Shabab, que luta uma insurgência contra o governo local. Ele afirmou ter mostrado documentos da FIFA e fotos de sua carreira como árbitro.
Após o interrogatório, ele foi colocado em uma sala de retenção e enviado de volta em um voo para Istambul, na Turquia, de onde havia embarcado em conexão para os EUA. O incidente ocorreu no último sábado, seu aniversário.
“Acho que eles têm um problema com meu país”, disse Artan ao The New York Times, acrescentando que tinha os documentos e o visto corretos. Segundo o jornal, ele não foi informado sobre o motivo da recusa.
O Ministério da Juventude e Esportes da Somália afirmou nesta terça-feira (9) que sua embaixada nos EUA tentava resolver o problema para permitir que Artan apite na Copa do Mundo, que começa já na próxima quinta-feira (11).
A recusa pode estar relacionada às restrições mais amplas impostas à Somália “e não a qualquer acusação específica contra ele”, disse Isse Aden Abshir, assessor sênior do ministério, à agência de notícias Associated Press.
A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) afirmou em comunicado na segunda que Artan “passou por inspeção adicional” ao chegar a Miami, e classificou o procedimento como “parte rotineira do processo quando os agentes precisam verificar informações ou determinar admissibilidade”.
“Após a inspeção, o viajante, um árbitro da Copa do Mundo da FIFA, foi considerado inadmissível devido a preocupações de verificação e teve a entrada negada”, disse o órgão.
A agência afirmou que todos os viajantes que buscam entrar nos EUA — incluindo jogadores, técnicos e equipes da Copa — estão sujeitos a inspeção e verificação.
“As decisões de admissibilidade são tomadas caso a caso com base em informações de segurança pública, segurança nacional e imigração disponíveis no momento da inspeção”, diz o comunicado. “Os agentes têm autoridade para questionar viajantes, realizar inspeções e determinar admissibilidade de acordo com a lei dos EUA.”