Advogado reconhecido que 'libertou' Julian Assange: quem é Barry Pollack, que vai defender Nicolás Maduro
05/01/2026
(Foto: Reprodução) Advogado Barry Pollack
Reprodução/HS Law
Preso em Nova York, Nicolás Maduro será defendido por Barry Pollack em seu julgamento pelos EUA.
Ao lado de Pollack, Maduro se declarou inocente nesta segunda-feira (5) perante um tribunal de Nova York, alegando ser um "prisioneiro de guerra" do governo Trump.
Esse não é o primeiro caso de grande repercussão assumido por Pollack. O especialista em direito criminal já tem mais de 35 anos de carreira e atuou em alguns dos maiores julgamentos recentes, como o do fundador do WikiLeaks, Julian Assange.
Julian Assange ficou mundialmente conhecido por fundar o WikiLeaks, criando uma rede de ativistas. A organização foi responsável pelo vazamento de cerca de 700 mil documentos classificados dos Estados Unidos, o que irritou autoridades norte-americanas.
Processado, ele permaneceu anos refugiado na embaixada do Equador em Londres até ser preso pelas autoridades britânicas, em resposta a um pedido emitido por Washington.
Ação militar dos EUA na Venezuela desafia direito internacional, diz especialistas
Pollack é tido como o grande "arquiteto" do acordo que tirou Assange da prisão. Em 2024, o ativista se declarou culpado por violar a Lei de Espionagem dos EUA. Em troca, a Justiça comutou a sua pena, e ele foi libertado. A audiência ocorreu excepcionalmente nas Ilhas Marianas do Norte, e Assange saiu de lá em direção à Austrália, onde fixou residência.
Em outro caso que lhe ajudou a trazer notoriedade, Pollack defendeu um funcionário da empresa de energia Enron, que decretou falência após um dos maiores escândalos de fraude contábil da história dos EUA vir à tona.
Enquanto 22 pessoas foram condenadas, Michael W. Krautz, representado por Pollack, foi um dos poucos inocentados da acusação de crimes fiscais no âmbito federal.
O caso Maduro
Nicolás Maduro e Celia Flores durante audiência judicial em 5 de janeiro de 2026
REUTERS/Jane Rosenberg
Capturado pelos Estados Unidos no sábado (3) em Caracas, o venezuelano declarou inocência em todos os quatro crimes aos que responde na Justiça norte-americana. São eles:
Narcoterrorismo;
Conspiração para o tráfico de cocaína;
Posse de armas e explosivos;
Conspiração para a posse de armas e explosivos.
Maduro compareceu a um tribunal em Nova York para sua 1ª audiência, na qual ouviu formalmente os crimes pelos quais é acusado. Ele estava com algemas nos tornozelos e fone de ouvido.
A audiência foi um trâmite burocrático da Justiça norte-americana, no qual réus devem comparecer para ouvir formalmente por que estão sendo julgados. Agora, o juiz responsável pelo caso marcou uma nova audiência foi marcada para 17 de março, na qual Maduro e sua esposa prestarão depoimento.
Maduro e Cilia foram capturados pelo Exército norte-americano em operação militar na madrugada de sábado em Caracas e levados ao Centro de Detenção Metropolitano (MDC, na sigla em inglês), no Brooklyn. A audiência está marcada para começar às 14h no horário de Brasília.
Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, Maduro e Cilia serão formalmente acusados pelos seguintes crimes:
Conspiração para o narcoterrorismo;
Conspiração para o tráfico de cocaína;
Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
Conspiração para posse de metralhadores para uso pelo narcotráfico.
"Eu sou inocente. Eu sou um homem decente. Eu sou um presidente", declarou Maduro, no tribunal em Manhattan.