3º maior produtor de petróleo do mundo, Irã tem teocracia xiita, mas não é árabe; entenda o país
02/03/2026
(Foto: Reprodução) Governo Trump divulga novas imagens de ataque a alvos militares no Irã
O Irã, um dos países mais complexos de toda a Ásia, protagoniza desde o fim de semana um tenso conflito com os Estados Unidos e Israel, que atacaram o território iraniano no sábado (28). As forças iranianas retrucaram e alvejaram países do Oriente Médio que têm bases militares norte-americanas, gerando o temor de uma guerra regional.
Atualmente uma teocracia xiita, o Irã, o país mais populoso do Oriente Médio, já foi ocupado pelo Reino Unido, pela extinta União Soviética e sofreu diversas mudanças de regime e até de nome: até 1935, se chamava Pérsia.
O país passou a se chamar oficialmente Irã por um decreto do então governante, o xá Reza Pahlavi (leia mais abaixo), que queria modernizar o país, recém saído de mais de 200 anos de dinastias e que atravessou séculos de impérios.
Embora seja governado por um regime muçulmano, a principal língua do Irã não é o árabe. O idioma oficial do país é o persa, nome também da principal etnia do país, com origem indo-europeia. Os persas são pouco mais da metade da população iraniana.
Na atual República Islâmica do Irã teocrática, o líder supremo — que até sábado era o aiatolá Ali Khamenei, morto pelo ataque dos EUA e Israel — é o chefe de Estado. E, embora o Irã tenha também um presidente, o líder supremo é a autoridade máxima nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além das Forças Armadas do país.
➡️ Esse sistema de governo gere o país desde a Revolução de 1979, quando manifestantes, liderados por aiatolás, derrubaram a monarquia do xá Mohammad Reza Pahlavi, estabelecendo a República Islâmica sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini.
Desde então, o Irã é uma teocracia xiita, regime de governo no qual o poder é concentrado em líderes religiosos islâmicos.
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Veja abaixo alguns dados sobre o país:
Nome oficial: República Islâmica do Irã;
Capital: Teerã;
Idioma oficial: persa;
Religião: islamismo xiita jafari;
Sistema político: República Islâmica teocrática;
Moeda oficial: rial iraniano (IRR);
População: cerca de 93 milhões (o 17º mais populoso do mundo).
Painel com propaganda anti-EUA em Teerã, no Irã
Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Revolução de 1979 impôs governo teocrático xiita
A Revolução Islâmica de 1979 foi a responsável pela queda do governo do xá Mohammad Reza Pahlavi, que reinou como monarca do Irã por mais de 37 anos e pela ascensão do aiatolá Ruhollah Khomeini, que em 1979 retornou ao país após 15 anos de exílio.
Ruhollah comandou o Irã como líder supremo entre 1979 e 1989. Depois de sua morte, quem assumiu foi o aiatolá Ali Khamenei, morto pelos EUA em um ataque no sábado (28).
A revolução islâmica foi motivada por uma revolta popular contra o regime autoritário do xá, impulsionada por repressão política, corrupção, desigualdades econômicas (inflação e crise do petróleo), ocidentalização forçada (como a "Revolução Branca" que impunha secularismo e modernização vista como ameaça aos valores islâmicos) e oposição do clero xiita, unindo esquerdistas, nacionalistas e islâmicos em protestos massivos que levaram à fuga do xá em janeiro de 1979 e ao retorno de Khomeini.
Líder supremo
Uma vez que é uma república teocrática, o sistema político do Irã combina eleições populares com controle clerical, onde o Líder Supremo detém a autoridade máxima.
No topo está o Líder Supremo, que exerce poder sobre política externa, forças armadas, judiciário, mídia estatal e nomeia chefes-chave; abaixo está o presidente eleito, que gerencia o executivo diário, mas sob aprovação do Líder; o Parlamento legisla, sujeito a veto do Líder; e forças como a Guarda Revolucionária respondem diretamente ao Líder.
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Presidente
O presidente é Masoud Pezeshkian, eleito em 2024, responsável por políticas econômicas e internas, mas com poderes limitados pelo Líder Supremo e pelo Conselho dos Guardiães, que confirma sua eleição.
Conselho dos Guardiões
O Conselho dos Guardiães, com 12 membros (6 clérigos nomeados pelo Líder Supremo e 6 juristas aprovados pelo Parlamento e Judiciário), veta leis parlamentares se contrariarem o Islã, qualifica candidatos a eleições (presidência, Parlamento, Assembleia dos Especialistas) e arbitra disputas, garantindo conformidade islâmica.
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Relação diplomática com EUA e Israel
Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã rompeu sua relação diplomática com os EUA e foi sujeito a sanções econômicas por causa do seu programa nuclear, que os EUA veem como ameaça bélica.
Enquanto isso, o Irã não reconhece o estado de Israel e apoia grupos como Hezbollah e Hamas em guerras por procuração.
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Por que EUA e Israel decidiram atacar o Irã?
Alegação de bomba atômica: Estados Unidos e Israel dizem que o objetivo principal é destruir o programa nuclear iraniano. Os dois países alegam que o Irã usa o enriquecimento de urânio com a intenção de fabricar armas nucleares, o que o regime nega.
Falha nas negociações: Desde o ano passado, EUA pressionam o Irã por um acordo nuclear. O ataque ocorreu após semanas de conversas entre dois países, mas que não trouxeram avanço nas negociações.
Irã e Estreito de Ormuz são importantes para o comércio de petróleo
O Irã é o terceiro maior produtor da Opep e responde por cerca de 4,5% do fornecimento global de petróleo. Sua produção é estimada em 3,3 milhões de barris por dia, além de 1,3 milhão de barris de condensados e outros líquidos.
Segundo a Reuters, o conflito praticamente paralisou a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Com isso, os preços do petróleo subiram cerca de 13% e ultrapassaram US$ 82 por barril, o maior nível desde janeiro de 2025.
Após ataques a navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional recomendou que empresas evitassem a área. O preço dos seguros disparou e grandes companhias confirmaram a suspensão de rotas pelo estreito, informou a France Presse.
Embora países importadores mantenham estoques estratégicos — membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) são obrigados a ter reservas equivalentes a 90 dias de consumo —, analistas não descartam que o barril supere os US$ 100.
Em resposta ao conflito, Arábia Saudita, Rússia e outros seis integrantes da Opep+ decidiram aumentar a produção em 206 mil barris por dia a partir de abril, volume acima do inicialmente previsto, segundo a France Presse.